Acho que já deu tempo suficiente. Na verdade, esse tempo suficiente é só meu, provavelmente não se aplica a mais ninguém.
De qualquer modo, estou de volta. Não sei por quanto tempo, mas, por ora, não pretendo sumir tão cedo. Pretendo, aos poucos, voltar.
Nesse tempo longe eu aprendi a não precisar tanto. Descobri que estar junto não exige reafirmação e que eu posso estar ali sem estar fisicamente presente, e posso senti-lo da mesma maneira.
Aprendi que o amor excessivo pode submergir uma pessoa, sim, como disse a Clarice. Eu passei por isso.
Por sorte ou por destino, hoje amo simplesmente, sem uma grande razão, sem certezas absolutas.
Amo porque amo, não sei explicar o porquê, não preciso. E amo mais o homem que o amor, pela primeira vez correspondido. E amo um menino também, que divide o mesmo corpo desse homem - isso é bom porque aqui também mora uma menina e uma mulher.
Não penso tanto em futuro como pensava antes e isso faz da minha vida muito mais tranquila. Não estou construindo castelos, dessa vez; por isso tudo me parece mais palpável hoje em dia.
Não preciso de juras de amor eterno, mas eu ainda gosto de demonstrações públicas de afeto, não nego - toda mulher que gosta, gosta.
Agora não sou mais cobrada e nem cobro demais. Me sinto mais livre, mais leve, sem a necessidade de me soltar ou de escapar.
Há anos atrás eu era feliz cegamente, depois eu passei a ser feliz excessivamente e hoje sou feliz simplesmente. Mas não é uma felicidade fácil, é uma felicidade conquistada, aprendida e equilibrada. Para mantê-la eu vou fazer diferente, vou me responsabilizar por sua manutenção constante, porém não sozinha.
Já errei deixando as coisas acabarem aos poucos, até que não havia mais jeito de voltar atrás: era inevitável. Como eu já disse outra vez, não gosto de fins demorados, prefiro os abruptos. Mas não quero pensar nisso agora.